Caros professores, não se ensina (e não se aprende) nada sem liberdade Por Eddo Rigotti O ensino é possível se, para além do professor, exista alguém que aprenda e algo que é aprendido. Antes, quem aprende e a coisa aprendida são, a bem dizer, os fatores constitutivos da aventura do ensino. Aprendemos, de fato, infinitas coisas sem que ninguém propriamente no-las ensine: aprender a nossa língua (que, às vezes, é o nosso dialeto) com os pais não é como aprender a gramática ou a ortografia com o professor. Aprender a língua com os pais é aprender a partir da experiência, do relacionamento direto com a realidade humana e não humana que nos circunda, interagindo na experiência mediada pela comunicação com os nossos pais e os outros adultos. É assim que aprendemos, algumas vezes às nossas custas e outras com vantagem para nós, que a água pode ferver ou congelar, que os figos são mais doces do que as maçãs, que a faca corta e que a rosa pode também cheirar (e a camélia, porém, não)...